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Sobre boa prosa, escrita criativa e gastronomia com afeto!

Sobre boa prosa, escrita criativa e gastronomia com afeto!

Esse artigo tem um gostinho diferente, ou seria um sabor? 

Eu convidei a também colunista do MDG VeraNatale, que conheci há pouco tempo durante a pandemia e só pelas redes, a , também amante da escrita e da boa comida, para falar desses temas, que é o que nos move e também nos alimenta, em todos os sentidos. 

Como surgiu essa ideia? Passamos um dia praticamente “juntas” (no virtual), comentando sobre a “Maratona de Marketing de Gentileza”, que aconteceu dia 13 de novembro, em comemoração ao dia mundial da Gentileza, e na qual nós duas palestramos e você deve ter acompanhado por aqui. 

Uma hora (acredito que bateu a fome) e ela me perguntou: “- Nossa, o que foi aquele prato que você publicou ontem nos stories do seu Instagram? Que delícias eram essas?”

Eu logo respondi toda cheia de nomes bonitos e com aquele brilho no olho: foi uma entradinha que pedimos no jantar, uma casquinha muito crocante de pizza (feita no forno à  lenha) e acompanhada de burrata. E a bebida, era o Clericot, um drink muito refrescante à base de vinho branco. 

Papo vai e papo vem, descobrimos que somos apaixonadas pelas mesmas coisas: boa prosa, escrita criativa e gastronomia com afeto! 

E assim, decidimos escrever sobre isso. Com um desafio para nós, que era o de sermos sucintas, missão bem difícil para duas produtoras de conteúdo e amante das palavras.

 

Parte do nosso papo sobre tentar fazer um artigo mais curto. *tem um errinho de digitação na minha resposta da foto, o certo é: "se aproveita" e não se aproveite (por favor, desconsidere). rsrs

Como foi o processo de escrever juntas

Cada uma ficou de enviar três perguntas uma para a outra. Combinamos isso numa quarta, na quinta ela já tinha feito a parte dela e no mesmo dia eu respondi também, embora nenhuma tenha lido o que a outra escreveu para não influenciar nas respostas. 

Na sexta, escrevi a introdução, juntei a parte dela e editando tudo, no finde descansou (ficou marinando) e na segunda, a gente fez a revisão final e hoje terça-feira, publicamos. 

Tudo bem simples, e com a oportunidade de escrever sem obrigação, o que torna o texto mais natural e fluido. Um processo mega gostoso de fazer e o tema nem se fala, que delicia contar essa história. 

Além disso, ficamos de indicar alguns filmes, livros, séries e afins sobre gastronomia. Que estão no final do artigo. 

Sobre textos e comidas que gostamos de marinar 

E também de cortar e depois devorar rsrs… 

Vamos às perguntas que a Vera Natale (VN)  me fez e as minhas respostas (Fernanda Lage - FL):

[VN] 1 - Como essa paixão pela gastronomia se reflete na sua vida? 

[FL] Bem, como mineira de Beozonte, de família grande e com ascendência portuguesa e espanhola, minha vida sempre girou em torno de grandes mesas comprida e repletas de comida, bebida e boa prosa.

Além disso, assim que me formei em jornalismo fui parar em uma revista voltada para esse universo gastronômico. Tudo era muito novo para mim, inclusive o mercado da revista, que  era novo para todo mundo, o food service estava sendo desenhado no Brasil. Em São Paulo, acabei desbravando muito este mercado, e meus aprendizados acabaram se confundindo com a própria difusão do food service no país. 

Me tornei editora-chefe da revista “Food Service News”, na qual fiquei por 7 anos, período em que frequentava os melhores restaurantes e tomava vinhos a convite dos chefs mais badalados de São Paulo. Uma vida de Julia Robert no filme “Comer, rezar e amar”,  que me deixou muito mal-acostumada, pois jamais poderia pagar pelos vinhos que tomava e a comida que degustava rsrs, mas aguçaram  muito o meu paladar e a minha paixão pela comida e bebida. 

[VN] 2. O que mais te encanta no universo da culinária e gastronomia?

[FL]O fato de ter frequentado o meio e aprendido muita coisa, deixou o meu paladar ainda mais apurado. Além disso, tem toda a história com as memórias afetivas culinárias de família. E para contribuir, sempre tive um olfato muito preciso, o que me ajuda a saber o que é bom e agradável para o meu paladar. Isso ainda contribui quando me aventuro a criar  coisas na cozinha que tenham um toque bem pessoal. 

A gastronomia também tem toda aquela coisa deliciosa de nos aproximar das pessoas, gerar bons papos e ganhar o carinho delas por meio do afeto colocado na comida. Eu tenho muitos fregueses assíduos em alguns pratos que faço. 

[VN] 3. Quais os aprendizados que trazem para sua escrita?

Por muitos anos, atendi clientes voltados para este universo, sempre fazendo assessoria de imprensa e depois produção de conteúdo digital. ,Há uns quatro anos decidi abrir o leque  e atuar como mentora, produtora e consultora de marketing de conteúdo, inclusive para outros segmentos além da gastronomia. 

Outra paixão também relacionada ao universo de comida e bebida e que também virou negócio, e  que pra mim, sempre terão a ver com escrita, foi o fato de eu ter me especializado em vinhos brasileiros.  De tanto visitar vinícolas por todos os cantos do Brasil (de norte a sul) acabei montando, junto com o meu sobrinho Daniel Lage, também apaixonado e grande parceiro de viagens gastronômicas, o primeiro bar só de vinhos brasileiros do País. 

Era um Boteco de vinhos em plena Vila Madalena, bairro na cidade de São Paulo e com conceito de cash & carry (escolher na prateleira, pagar, consumir na hora ou levar). Mas esta é uma outra história.

E assim, vamos trocando figurinhas entre comida e escrita. Sempre regadas de muito boas prosas e afeto. 

As perguntas que eu, Fernanda Lage (FL), fiz para a Vera Natale (VN) e as respostas dela: 

[FL] 1 - Como a gastronomia se revela na sua vida e se confunde com a sua escrita?

[VN] Eu tenho uma relação muito afetiva com a cozinha e o ato de cozinhar. As mulheres da minha família sempre foram cozinheiras de mão-cheia. Minha mãe não fugiu à regra. E eu aprendi muita coisa com ela e na cozinha da nossa casa.

Teve uma época em que ela vendia bolos e salgados. E eu a ajudava, sem esconder minhas segundas intenções, que era ir roubando um pouquinho do que estava sendo preparado, para minha degustação. 😋 

Outra diversão minha era copiar receitas para um caderninho ou datilografá-las na minha linda máquina de escrever cor de rosa, Olivetti Lettera 32.

Hoje, percebo com mais clareza o quanto essa minha paixão pelo universo da cozinha, e tudo o que ela representa, acabou influenciando minha escrita. Enxergo muitas semelhanças, além da possibilidade de exercer a criatividade.

Por exemplo, ter uma estratégia e planejamento prévio, desde saber o que você vai querer fazer até a compra dos ingredientes, a organização dos utensílios que vai usar e das etapas de preparo, facilita todo o processo. 

Na escrita funciona igual – ter em mente o seu cardápio ou os assuntos que você vai abordar, se munir antes de dados, pesquisas ou referências para embasar argumentos e ideias, enfim, se planejar com uma estratégia em mente traz mais consistência para seu conteúdo e deixa o processo mais fluido.

E tem ainda a questão da generosidade e transformação. Na cozinha, os alimentos se transformam para alimentar o corpo e os sentidos. Sinalizam uma generosa troca de afeto entre quem faz e quem recebe. 

Na escrita também há o poder de transmutar as palavras para além de apenas informar. Você pode transformá-las em narrativas ou histórias que inspiram e nutrem os sentimentos dos leitores, estabelecendo vínculos genuínos.

[FL] 2 - Qual o grande escritor brasileiro mais falou de comida e mais te inspirou (inspira) na culinária?

[VN] Jorge Amado é bem conhecido por trazer essas referências em sua literatura. Mas o que mais me marcou foram as histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo de Monteiro Lobato.

Era fã da Emília claro, mas também adorava Tia Nastácia e Dona Benta, duas personagens icônicas que cozinhavam e confraternizavam com a trupe, servindo seus quitutes.

E a Cora Coralina então? Sou fã de poesia e acho linda a doceira que virou poeta.

Amor de uns três anos para cá foi o livro “Minha mãe fazia”, da escritora Ana Holanda. Me identifiquei muito. Tem tudo a ver com a minha história e lá no fundo acabo me sentindo parte desse projeto toda vez que abro o livro. 😊

[FL] 3 - Quem pode te levar mais longe: a sua escrita ou a culinária. Justifique rsrs

[VN] Não consigo dissociar a Vera, apaixonada por palavras, redatora e produtora de conteúdo, da Vera que adora cozinhar, comer e confraternizar à mesa. 

Quando uma escreve, a que cozinha fica ali quietinha soprando palavras no meu ouvido, fazendo analogias inusitadas. Quando uma cozinha, a que escreve também se alimenta, arrisca combinações de temperos e sabores. 

Sempre que posso, lembro que a palavra “comunicar”, seja por fala ou escrita, vem do latim e quer dizer “tornar comum”. Isso significa que escrever tem a ver com compartilhar algo para o outro da mesma forma que se faz quando se cozinha. Isso dá “liga”, aproxima e gera conexões cheias de sabor com o seu público.

Dicas da Vera -  para quem curte cozinhar e ouvir boas histórias:

Filmes: “Julie e Julia”, “Chef”, “A 100 passos de um sonho” e “Ratatouille”.

Documentário Netflix – Chef’s Table (A Mesa do chef).

Receita de doce de mamão vermelho por Cora Coralina – 

Dicas de filmes sobre o tema comer e beber da Fê lage, inclusive alguns se repetem nas dicas da Vera: 

O julgamento de Paris, história verídica de quando o vinho Chateau de Montelena, da Califórnia venceu uma degustação às cegas em Paris e ficou com o prêmio inédito na história.  

A 100 passos de um sonho - Se passa no sul da França, também verídico e conta a história de um de cozinheiro indiano e exilado, que montou seu negócio em frente ao estrelado restaurante e aclamado no guia Michelin por vários anos consecutivos.  Sob o sol da toscana - Só dá vontade de correr para a Toscana antes mesmo de o filme acabar. 

Além dos clássicos: Chocolate, com a maravilhosa Juliette Binoche; Tomate verdes fritos e  os mais recentes, Fome de poder e Julie & Julia

Pena não poder descrever cada um dos filmes agora, adoraria, mas vai estourar meus caracteres do texto, já estourados e sem direito a marinar e cortar rsrsrs. 

Prometo fazer um artigo somente sobre isso :D. 

Se você também adora escrever e contar boas histórias me chama inbox, quem sabe não escrevemos uma boa história juntx :D 

Artigo publicado originalmente na newsletter quinzenal do Linkedin, aproveita para assinar a news e receber todas as novidades :D 

Comunidade Marketing de Gentileza
Fernanda Lage
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Jornalista apaixonada por marketing de conteúdo, escrita criativa e storytelling; fundadora da inbox Conteúdo. Ajudo as pessoas a desbloquearem seus conteúdos digitais e a desenvolver o seu marketing pessoal!

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