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O que faz uma comunicação ser ou não acessível e produtiva

O que faz uma comunicação ser ou não acessível e produtiva

 

Depois de muito refletir, observar, testar hipóteses, pesquisar e conversar com pessoas diversas, ficou bem nítido para mim que a base para qualquer comunicação ser eficiente está calçada em quatro pilares que explicarei neste artigo.

Até vejo algumas iniciativas isoladas de treinamento aqui e ali sobre alguns desses pontos. No entanto, falta a conexão direta disso com a forma como nos comunicamos independentemente do canal ou da ferramenta que utilizamos, se é presencial ou a distância, se é num relatório técnico, num e-mail, no WhatsApp, num post ou numa ligação telefônica.

Antes de detalhar os pilares, é importante eu explicar por que trago a palavra “acessível” junto com “comunicação” e por que esse termo para mim não se restringe ao universo das pessoas com deficiência como muita gente talvez esteja pensando.

Comunicação acessível, para mim, é quando a mensagem é compreendida por qualquer pessoa independentemente de sua condição, grau de letramento, posição hierárquica e assim por diante.

É quando nos preocupamos com a outra pessoa e buscamos uma forma de passar determinado conteúdo com o objetivo de fazer com que ela o compreenda e consiga tomar decisões.

Considero neste contexto a palavra “acessível” em seu significado mais amplo: o que pode ser facilmente compreendido, que permite aproximação, aberto, claro, coerente, descomplicado, simples, direto, amável, afável.

E para esse tipo de comunicação ser estabelecido, é preciso levar em conta a forma de falar ou de escrever, a escolha de palavras e expressões, a organização das informações que quer comunicar, entre outros aspectos que envolvem autoconhecimento e empatia.

 

Mas o que sustenta uma comunicação acessível?

 

EMPATIA

A recomendação é conhecermos "de fato" as pessoas com quem os relacionamos. É sabermos como elas preferem trabalhar, como são mais produtivas, se preferem mensagem de áudio ao invés de texto e por quê, o que as deixam à vontade para serem elas mesmas e o que as bloqueiam.

Para isso é preciso ouvi-las sem preconceitos ou julgamentos. Nesse momento, aproveitamos para nos conhecermos melhor e a termos mais clareza sobre como nos comunicamos.

 

INCLUSÃO E INTEGRAÇÃO DE PESSOAS DIVERSAS

Nossos preconceitos, medos e até preguiça muitas vezes nos impedem de incluir pessoas diversas em nossos times profissionais e em grupos sociais. E depois reclamamos que nunca temos “ideias fora da caixa” ou que sempre sugerimos as mesmas soluções para diferentes problemas.

A diversidade nos provoca a disseminar a informação de jeitos específicos, respeitando a história de cada um. Temos mais consciência sobre como nos comunicamos, o que falamos e as ferramentas que utilizamos. Esse processo é positivo para todos os lados.

Eu mesma revi e ressignifiquei muitos conceitos clássicos de comunicação que havia estudado na faculdade de jornalismo depois que passei a conviver com pessoas surdas, cegas e neurodiversas.

Não existe uma única forma de transmitir uma mensagem e estabelecer conexão entre as pessoas. E a busca constante por outras maneiras de me comunicar causa um efeito sempre muito positivo em meu cérebro em vários sentidos.

 

CLAREZA NOS PEDIDOS

A comunicação não violenta fala muito sobre a necessidade de deixarmos claro à outra pessoa o retorno que desejamos dela. Difícil é sabermos se o outro lado está nos compreendendo de fato.

E aí, geralmente acontece uma certa intimidação, às vezes até inconsciente, quando perguntamos a alguém “você me entendeu agora?”. Eu mesma já me vi em muitas situações de ter que responder essas perguntas e via meu interlocutor como um inquisidor.

Portanto, é importantíssimo escolhermos o tom e as palavras corretas para fazermos nossos pedidos e considerar sempre o contexto.

 

SIMPLICIDADE NA FORMA DE SE COMUNICAR

Precisamos ser simples na maneira como nos expressamos para nos comunicarmos com clareza. E isso não combina em nada com palavras ou conceitos complexos, nem com sequências ilógicas ou muito menos com textos visualmente confusos.

Comunicação simples não significa usar poucas palavras, mas usá-las de forma bem-organizada. Sabia que até existe uma organização internacional que discute e recomenda diretrizes para linguagem simples chamada Plain Language Association International? Pois é! Ela reúne apoiadores e profissionais de mais de 30 países que estudam esse tema.

 

Faz sentido para você a prática desses quatro pilares como forma de melhorar a comunicação interpessoal? O que você acrescentaria ou modificaria neste contexto?

 


Descrição da imagem que ilustra esse artigo: ilustração bem colorida com quatro pessoas diversas que seguram peças grandes de um jogo de quebra-cabeça. As quatro peças estão bem próximas entre si e estão praticamente encaixadas.

Crédito da imagem: pikisuperstar / Freepik

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Suzeli Damaceno
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Ajudo pessoas e empresas a eliminarem barreiras de acessibilidade em ambientes digitais e ruídos de comunicação que bloqueiam a circulação do conhecimento e geram prejuízos às mesmas. Sou especialista em comunicação acessível, consultora e professora

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