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O que é Capacitismo e como acontece no local de trabalho, mesmo após 30 anos da Lei de Cotas

O que é Capacitismo e como acontece no  local de trabalho, mesmo após 30 anos da Lei de Cotas

Começo meu artigo com perguntas do início da palestra da Lau Patrón para o TEDx:

"Quem decide o que é perfeito, o que é normal e o que é errado e anormal e não será aceito?

Que regra é essa e quem a inventou?"

Capacitismo é o preconceito e a discriminação contra as pessoas com deficiência, em razão da sua deficiência, ou seja, capacitismo é a discriminação direcionada às pessoas que não são consideradas “capazes” por terem alguma deficiência física, mental ou intelectual.

O termo é pautado na construção social de um corpo padrão perfeito denominado como “normal” e da subestimação da capacidade e aptidão de pessoas em virtude de suas deficiências.

De acordo com o Relatório Mundial sobre a Deficiência, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com alguma forma de deficiência e muitas vezes você nem sabe ou nem percebe isso. Aqui no Brasil 24% da população brasileira se autodeclara pessoa com deficiência. Eu me incluo nesse percentual desde 2015 quando operei minha coluna e coloquei uma prótese.

Ao longo dos séculos as pessoas com deficiência já vivenciaram muito preconceito, já foram vítimas de abandono, rejeição e até mesmo violência. Mas não estamos mais na idade média para continuar alimento essa perseguição.

A deficiência não é uma doença é uma condição e a pessoa com deficiência pode perfeitamente ter uma vida saudável. - Lau Patrón

No ambiente de trabalho

Lei.8213/91, conhecida como Lei de Cotas estabelece uma cota para contratação de pessoas com deficiência ou reabilitados nas empresas com mais de 100 empregados.

Mas apesar da lei criada que completa 30 anos no dia 24 de julho de 2021, estima-se que, do total de 45,6 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência, apenas 1% está inserido no mercado de trabalho.

Esses dados revelam que precisamos evoluir muito pela inclusão profissional dessas pessoas as empresas devem oferecer ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos e acessíveis para a diversidade. E principalmente enxergar os valores e talentos desses profissionais.

A competência de um profissional não deve ser vinculada lada a uma deficiência ou a um corpo que é considerado “normal”.

O cartunista brasileiro Ricardo Ferraz utiliza ilustrações críticas e representativas para trazer à tona a temática da inclusão das Pessoas com Deficiência

A imagem a seguir feita por ele mostrar uma situação típica de capacitismo no ambiente de trabalho, onde se coloca em questionamento à capacidade profissional de uma mulher com deficiência física, que não possui os dois braços e as duas pernas, única e exclusivamente pela sua deficiência.

Quando é cometido capacitismo no ambiente de trabalho:

  • Quando se diz que um profissional com deficiência vai atrapalhar, prejudicar o funcionamento de uma empresa ou equipe de trabalho.
  • Você julga que a pessoa com deficiência não consegue fazer X coisa, sem ao menos perguntar a ela ou conhecer suas dificuldades, você está julgando aquela pessoa como incapaz exclusivamente por causa da deficiência.
  • Você objetifica a pessoa com deficiência, ou seja, você só enxerga a deficiência, você reduz a pessoa a essa deficiência. Por exemplo: se você se refere a ela como “o cadeirante”, “o autista”, “o cego”, e assim por diante.
  • Não se preocupa com acessibilidade da empresa. Faltam rampas, elevadores, intérpretes de libras, sinalizações táteis, visuais e sonoras adequadas, entre outras, ou seja, toda estrutura da empresa é feita para não incluir as pessoas com deficiência.
  • Você contrata a pessoa com deficiência apenas para cumprir cota. Preocupe-se para incluir de verdade quando admitir esses profissionais. E jamais reserve uma vaga com atividades de baixa complexidade para pessoas com deficiência para apenas cumprir a cota. Encare elas como quaisquer outros profissionais, porque de fato são. 

Encerro meu artigo com mais um texto para reflexão:

"A maior deficiência não está no corpo do deficiente físico, mas, na alma do preconceituoso." - Sebastião Barros Travassos

Muito obrigada por sua leitura! 🙏😊

Sinta-se à vontade para compartilhar e comentar.

Comunidade Marketing de Gentileza
Aline Barbara de Oliveira
Aline Barbara de Oliveira Seguir

Sou professora, palestrante, escritora e especialista em Marketing e LinkedIn, com formação em Comunicação Social, ADM e Pedagogia, enfim sou uma eterna aprendiz, defensora da inclusão e diversidade.

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