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Escrita Criativa: Gênero Literário e Jornalismo Diversional

Escrita Criativa: Gênero Literário e Jornalismo Diversional

Nomes não faltam para categorizar esse gênero: jornalismo literário, jornalismo diversional, literatura não-ficcional, literatura da realidade, alternative story forms (ASF) - traduzido como formas de histórias alternativas – e até features ou fait divers (fatos diversos). Já ouviu alguns desses títulos? Quer saber mais? Vem descobrir como deixar sua escrita mais criativa.

GÊNEROS JORNALÍSTICOS

“Os gêneros jornalísticos são determinados pelo modo de produção dos meios de comunicação de massa e por manifestações culturais de cada sociedade onde as empresas jornalísticas estão inseridas. Precisam, portanto, ser estudados como um fenômeno histórico. Realizar uma classificação universal dos mesmos é praticamente uma tarefa impossível, visto que estão sempre em transformação. O que pode ser um gênero hoje amanhã não o será mais ou o que pode ser um gênero em um determinado país não o é em uma outra sociedade. Gêneros aparecem, crescem, mudam e desaparecem conforme o desenvolvimento tecnológico e cultural de cada nação e de cada empresa jornalística”. (Medina, 2001)

De modo geral, temos a seguinte classificação dos GÊNEROS JORNALÍSTICOS:

E podemos encontrar o Gênero Jornalístico Diversional em Crônicas e Reportagens, nas Charges, nos Cartuns, nas Histórias em Quadrinhos (HQ). Vamos conhecer as características gerais deste estilo e trazer criatividade para nossos textos.

Personagem do cinema e dos quadrinhos Homem-Aranha no alto de um arranha-céu  vê a cidade do alto. Está sentado, de costas para a tela e abre uma jornal de papel. Fonte: Canva e Giphy. Artigo: Bianca Piquet.

Olha como os gêneros se misturam.

Feature é um “Gênero jornalístico que vai além do caráter factual e imediato da notícia. Aprofunda o assunto e busca uma dimensão mais atemporal. Define-se pela forma, não pelo assunto tratado. Opõe-se à hard news, que é o relato objetivo de fatos relevantes para a vida política, econômica e cotidiana. Um feature pode ser um perfil, uma história de interesse humano, uma entrevista”, Folha de S.Paulo.

Esse gênero jornalístico é bem debatido, cheio de polêmicas... Tem até quem diga que não é Jornalismo. O que você acha?

Como se todo o debate e polêmica visto sobre Jornalismo até aqui não tivessem sido suficientes, há quem que essa “modalidade” do Jornalismo Diversional deva ser vista como subgênero do jornalismo (ou mais especificamente de reportagem) enaltecendo sua validade.

Há quem o encaixe apenas no hall de entretenimento, sem valor jornalístico – mesmo que trate de um assunto real como tema central. Há também os moderados, que buscam sim encontrar uma interseção entre o gênero jornalístico informativo, opinativo e interpretativo, contando ainda com a liberdade criativa da literatura e gêneros visuais, como a charge.

Vamos buscar um equilíbrio entre essas visões.

Para o jornalista Fagundes Menezes, o jornalismo está intrinsecamente ligado ao gênero literário, inclusive o autor propõe, em seu livro Jornalismo e Literatura, o estudo entre a fronteira de ambos afirmando que o híbrido destes é uma boa arma na batalha dos meios de comunicação. Afinal a mudança do padrão e do estilo no jornalismo impresso visa um texto mais atraente de se construir a notícia para atrair seus leitores. (Menezes, 1997)

O jornalista Felipe Pena traz ainda a classificação como fait divers (fatos diversos) ou features, que, em geral, designam matérias que não se enquadram nas editorias jornalísticas tradicionais.  (Pena, 2005) O mesmo autor, em 2006 trouxe em seu artigo O jornalismo Literário como gênero e conceito a seguinte definição:

“Não se trata apenas de fugir das amarras da redação ou de exercitar a veia literária em um livro-reportagem. O conceito é muito mais amplo. Significa potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do Lide, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos. No dia seguinte, o texto deve servir para algo mais do que simplesmente embrulhar o peixe na feira”. (Pena, 2006)

 

Ou seja, o jornalismo literário busca desenvolver as técnicas narrativas, princípios e demais características do jornalismo diário. Fazê-lo de forma inovadora, criativa sem a pressão pelo horário de fechamento das publicações, o deadline. Busca contextualizar a informação buscando informações complementares e que possam situar o leitor. Até aqui temos o viés informativo e interpretativo.

Segundo Pena (2006), o processo que vai desde a escolha do tema até a maneira como este será desenvolvido deve ter o foco e o compromisso com a sociedade, na medida em que “pode contribuir para a formação do cidadão, para o bem comum, para a solidariedade”.

GIF de um homem de terno e gravata, segura em uma das mãos um microfone e na outra uma folha de papel. Ele faz um gesto de entusiasmo e comemoração. É branco e usa óculos, Terno preto, blusa azul claro, gravata vermelha com quadriculados brancos. Fonte Giphy. Artigo: Bianca Piquet

De acordo com o jornalista Mário L. Erbolato (2004), a quem a pesquisa frequentemente recorre para falar sobre as categorias no jornalismo, essa modalidade consiste na busca por uma linguagem mais leve e atraente para o leitor sem fugir do seu objetivo principal, transmitir informações jornalísticas. Ou seja, esse gênero surge da combinação da técnica do romance com o estilo jornalístico na construção de episódios narrados.

Tão importante quanto a informação narrada está a preocupação com a estética textual, a linguagem e o estilo do texto. Produzir uma reportagem criativa significa captar a transcendência das coisas, fatos e pessoas valendo-se o repórter de um senso de observação permanente acurado (MUGGIATI, 1971).

Busca, assim, desenvolver a matéria com mais detalhes, para isso busca descrever minuciosamente o ambiente, as pessoas envolvidas, buscando apresentar o depoimento e sentimento dos personagens e apresentar o fato dentro de um amplo contexto.

Na visão dos que discordam da modalidade diversional como gênero está o argumento de que já é difícil transmitir credibilidade ao publicar a notícia pelas subjetividades naturais da transmissão de informação. Enlaçadas ao “entretenimento” seria ainda mais complicado.

“O que distingue uma matéria jornalística de um relato científico, de um texto didático ou de um relatório policial é o fato de que se dirige a pessoas que não tem obrigação de ler aquilo. Em consequência, procura de alguma forma aliciar as pessoas para que se interesse por aquela informação, através de técnicas narrativas e dramáticas. Isto não é um mal em si, o uso destas técnicas se justifica amplamente pela eficácia comunicativa e cognitiva que proporcionam. O problema é quando passam a ser utilizadas em função de objetivos que não os cognitivos, como a luta comercial por audiência e o esforço político de persuasão. No cotidiano do jornalismo praticado em nossas sociedades, é muito difícil distinguir entre estes... objetivo”. (Meditsch, 1997)

É quando a ética profissional precisa, mais do que nunca, entrar em cena. O compromisso do jornalista é com o interesse público, com a missão de informar a sociedade com transparência e a fim de garantir a todos o direito constitucional.

Debates ideológicos a parte, o jornalismo diversional incluem gêneros mistos (infografia) como cartuns, caricaturas, charges e HQ. E ainda versões de crônicas, como dito lá no gênero opinativo.

Infografia - Cartuns, Caricaturas, Charges e HQs

As Charges, as Histórias em Quadrinhos e demais formas de infografia são grandes fontes de entretenimento e lazer que desde sua criação, oficial, no século passado é aceita e consumida por um grande público de todas as idades e classes sociais.

Tendo sua origem vinculada a história da imprensa tais desenhos foram, aos poucos, ganhando características próprias e assumindo o modelo hoje popularmente conhecido.

InformaçãoOpinião,  Interpretação se encontram com a literatura e as artes visuais se encontram para formar um gênero que tem espaço cativo nos veículos de comunicação – especialmente no impresso e impulsionado de forma intensa na internet.

A busca por este formato seria a tentativa de transmitir determinado conteúdo jornalístico de forma criativa e sintetizada.

O Jornal O Globo, em uma coluna jornalística intitulada Por dentro do Globo, afirmou o seguinte sob o título Notícias em forma de HQ que:

“A Internet vem levando a mídia impressa a se repensar e a procurar novas formas de contar as histórias do cotidiano das cidades e do mundo. Neste processo, a infografia se modernizou e os quadrinhos, antes limitados ao Segundo Caderno, passaram a aparecer nas outras editorias dos jornais. [Onde] os quadrinhos dramatizam e sintetizam as informações mais importantes das reportagens”. (Jornal O Globo, 2008)

Assim, ao buscar novas formas alternativas de relato jornalístico adentra o campo das ASF - alternative story forms (sic.), traduzido como formas de histórias alternativas, campo de experimentação de revista de vanguarda.

Apenas para pontuar de forma simples e genérica:

  • Charge são os desenhos e caricaturas que criticam um fato específico, em geral, político, que é de conhecimento público.
  • Cartum (cartton) são narrativas gráficas ou desenhos, caricatural, com ou sem legendas, que apresentam uma situação, geralmente, satírica.
  • Quadrinhos (histórias em quadrinhos – HQ) gênero em que a narração se dá por uma sequência de desenhos, acompanhada ou não de legenda. Narrativa baseada em acontecimentos e personagens reais ou imaginários.

(Larousse Cultural, 1992)

Reportagem e Crônica no Jornalismo Literário

Diante de tudo o que já foi exposto, o tópico visa apenas agregar um olhar de Erbolato (2004), que muito fez por este meu estudo, através de seus livros. Pauta essa que foi tema de minha monografia universitária nos tempos de graduação em Comunicação Social em 2009.

Este novo gênero jornalístico passou a oferecer textos mais atraentes sem a aridez dos formatos tradicionais. Proporcionando “a descrição de fatos, mas com o texto intercalado de diálogos e chegando a revelar os sonhos e conjecturas de cada pessoa envolvida na narrativa”.

Citando Gay Tales, antigo Repórter do New York Times, diz que não se trata de inventar, mas sim de penetrar no íntimo dos indivíduos focalizados na reportagem.

No jornalismo diversional o repórter procura viver o ambiente e os problemas dos envolvidos na história, mas não pode limitar as entrevistas superficiais e sim “descobrir sentimentos anotar diálogos inventariar detalhes observar tudo e fazer-se presente em certos momentos reveladores” (Pizano apud. (Erbolato, 2004, p. 44))

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Curtiu o tema? Espero que tenha ajudado a inspirar criatividade para a sua escrita.

Se quiser saber mais sobre todos os gêneros jornalísticos clica no link.

Gênero Jornalístico: Informativo, Interpretativo, Opinativo, Diversional e Utilitário

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Bianca Piquet
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Formada em Comunicação Social, Jornalismo, e pós em Marketing Educacional. Minha paixão está nas áreas da Educação e Ação Social. Sou freelancer produtora de conteúdo e analista de mídias sociais. Vamos compartilhar conhecimentos e experiências?

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