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Boas influências do marketing humanizado

Boas influências do marketing humanizado

Foi em meados de 2017 que abri o Linkedin, aplicativo que eu não usava muito, e vi um post da Laíze Damasceno. Nem sei o motivo de ter aparecido para mim, possivelmente alguma conexão curtiu ou qualquer outra “explicação algorítmica”. O nome chamou minha atenção de cara: Marketing de Gentileza!

Sou quase um dinossauro do marketing, comecei a estudar marketing com 16 anos e olha que isto já faz muuuuiiito tempo! Com certeza que este nome chama a atenção, pois se há algo questionável no marketing é o seu uso de forma indevida. Claro que a culpa não é do marketing, ele é uma ciência e possui vários instrumentos que podem ser utilizados para a finalidade desejada por quem as opera. Da mesma forma que aquela enxada nas mãos do jardineiro como conta a parábola bíblica, o marketing é apenas uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal.

Marketing de gentileza! Que nome massa! Confesso que não lembro do texto, mas sei que li e gostei. Tanto que passei a seguir a página. Nunca fui muito interativa, e não sou até hoje. Lia sem comentar, apenas com algumas curtidas. Sim, “algumas curtidas”, sou uma pessoa que consegue ler um texto, amar, sair e não dar o like! Isto é crime, deveria estar previsto no código de boas práticas das redes sociais. Não faço por mal, simplesmente não lembro. Ler um post, para mim, é como ler um livro, uma informação que chega, entretanto agora reina a cultura da interatividade, não basta ler, é preciso interagir! Vou me policiar.

Respeito pelo consumidor é obrigatório

A proposta de um marketing respeitoso e humanizado move a minha alma de uma forma que vocês não fazem ideia. A gente já falou que se trata de uma ferramenta, né? Ser publicitária e marketeira é uma profissão linda, mas há que ter senso e humanidade. Para ilustrar o meu horror ao uso abusivo das ferramentas do marketing, vou contar uma historinha. Meu irmão e eu nos matriculamos em um curso de marketing em uma pequena escola do interior do Rio de Janeiro por volta de 1995. Lembro que na primeira aula, o professor falou que uma boa estratégia de marketing para pasta de dentes era fazer uma buraco maior, assim a pasta ia sair em excesso, ser desperdiçada e o consumidor compraria outro tubo mais rápido. Juro por Deus que o cara falou isso! Saímos da aula e nunca mais voltamos! Fiquei passada com aquela aula e este sentimento de revolta com estratégias e usos abusivos de ferramentas tão poderosas me acompanha até hoje.

Quando conheci o MDG, eu estava em uma época de busca. Nada filosofal, sempre amei meu trabalho, apenas procurava um caminho, pois sabia que a minha estrada estava em risco e precisava ter um plano B. Buscava este plano B, ainda sem rumo e nesta situação me deparei com o anúncio do curso Marketing de Gentileza. Li a ementa e decidi fazer. Lembro que tive problemas para finalizar o pagamento, quase que desisti, mas ela me atendeu tão bem que tentei mais uma vez e mais uma vez até a compra se concretizar.

Assisti o curso com encanto. Foi muito legal voltar ao passado e às minhas raízes do marketing. Eu comecei a estudar marketing muito cedo, depois fiz faculdade de publicidade, mas trabalhei muito pouco na área, logo saí para uma carreira de 25 nos em atividades ligadas à administração. Rever os conceitos passados de forma tão simples, dinâmica e envolvente foi realmente muito gostoso. Entretanto, temos os “momentos” na vida... Embora estivesse preocupada em achar meu plano B, ainda não sabia qual rumo tomar e acabei passando pelo curso sem o aproveitamento que deveria ter tido. O baixo rendimento não foi culpa do trabalho, do cansaço ou as coisas da vida, minha cabeça que não estava preparada para a conexão profunda que deveria ter comigo mesma.

O curso foi top! Fico muito feliz ao ver pessoas da minha turma que hoje brilham nos feeds. Pessoas que estavam começando já despontaram e hoje arrasam com suas marcas pessoais. Não sei o destino de todos, mas três eu ainda sigo nas redes e vibro a cada post:

  • Márcia Demézio,
  • Dalva Corrêa e
  • Geisa Luz.

Naõ deixem de conferir o trabalho delas!

O plano B

A vida não brinca com a gente, ela nos surpreende e nos desafia a cada passo. O desafio de encontrar o plano B se resolveu como por encanto, recebi um presente do universo. Eu digo que foi um presente, pois conheci o tema por acaso. Sempre tive uma queda pelo compliance, aquela atividade que, como diz minha mãe, ensina a “fazer como manda o figurino”. Durante minha busca fui fazer um curso de compliance e pela primeira vez ouvi falar na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

Foi assim tipo amor à primeira vista. O tema foi abordado em uma das matérias do curso de compliance e a partir então passei a ler, seguir pessoas, buscar mais informações. Lembro que li o texto da lei e achei que tinha entendido tudo! Mal imaginava que não tinha compreendido nem 1% daquele universo gigante e fantástico! Comecei a estudar e quanto mais conhecia mais me encantava. Aliás, este ciclo ainda se repete até hoje.

Logo no inicio de 2019 comecei a trabalhar com a LGPD na empresa em que eu estava. O trabalho que sempre amei tomou mais cores e mais encanto. Só que a vida dá lá suas voltas e aquele risco vislumbrado lá em 2017 voltou com forca total e a ameaça se concretizou. Hora de encarar o desafio e abraçar meu plano B.

Durante este tempo, nunca me desconectei de vez do Marketing de Gentileza, seguia nas redes e acompanhava a trajetória dos colegas de turma. Já em meio à pandemia cheguei a querer fazer uma mentoria com a Laíze, mas não tinha horário disponível. Pense em uma tristeza! Um belo dia fui supreendida pelo anúncio da Comunidade Marketing de Gentileza. Amei a proposta!

LGPD e gentileza

Vocês sabem exatamente qual a proposta da LGPD? Garantir o respeito aos direitos humanos fundamentais! A LGPD é muito mais que uma lei, é um movimento necessário para a manutenção de uma sociedade saudável. Podemos trazer um fato histórico que ilustra bem este movimento social. O que vemos hoje se parece com o que aconteceu com as leis trabalhistas após a Revolução Industrial. O ser humano é complexo mesmo, primeiro acontecem grandes mudanças tecnológicas que alteram as relações sociais, o abuso se implanta e depois a legislação vem correndo atrás para arrumar as coisas. Os operários das primeiras fábricas trabalhavam 12 horas por dia sem folga, até que começaram a nascer as primeiras leis trabalhistas.

Agora vivemos a quarta Revolução Industrial motivada por vários fatores, dentre eles:

  • crescimento exponencial da capacidade de armazenamento e processamento dos computadores
  • com a possibilidade de conexão via internet,
  • surgimento dos dispositivos móveis,e
  • Inteligência Artificial.

Mais uma vez a humanidade se vê diante de uma alteração consistente e definitiva em suas relações. A vida já não é tão palpável, o universo, aos poucos, vai se transportando para o mundo digital, aquele mundo onde o que manda são os dados que rodam na rede. Hoje quem tem a capacidade técnica e econômica de lidar com estes dados, detêm o poder total, assim como os proprietários das primeiras fábricas o tinham nos idos de 1800.

Você já percebeu que até mesmo para exercer sua cidadania você precisa se conectar? A cada dia fica mais difícil viver sem conexão e a cada conexão nós entregamos nossos dados pessoais. Já pensou nisto? As comunicações humanas já são feitas através de apps, e-mail e outros canais conectados. Comprar e vender são operações que estão se transferindo para a internet. Os fornecedores de produtos que não podem ser vendidos pela internet criam seus mecanismos de cadastro e sistemas de pontuação para acompanhar o comportamento dos clientes.

Não custa relembrar que o marketing tem como objetivo ajustar a demanda à oferta. A lógica sempre foi estudar as expectativas do consumidor e calibrar o produto, o preço, a distribuição e a comunicação para tornar o produto mais atraente.

Alterações na estrutura do marketing

Agora os conceitos dos 4 Ps estão sendo alterados. A tradicional Promoção entrou pelo universo digital e agregou várias ferramentas novas como a interação através de redes sociais, por exemplo. Outro exemplo é forma como o digital permitiu novos modelos de negócios como o Uber e novos formatos de entrega que vão além da logística tradicional como as plataformas de academia.

Estas novas ferramentas que já estão incorporadas ao marketing possuem um poder muito grande sobre a estrutura das relações sociais, elas influenciam desde a venda de um chiclete até a própria manutenção da democracia.

Você já assistiu o Dilema das Redes e Privacidade Hackeada? Se ainda não assistiu, prepara a pipoca, as almofadas e corre lá! São documentários essenciais para todos nós que trabalhamos com marketing.

As ferramentas podem e devem ser utilizadas, entretanto cabe a cada um de nós despertar a consciência do impacto que as novas tecnologias tem sobre a sociedade. Com este conhecimento, será possível desenvolver um trabalho responsável, com a noção de que do outro lado da tela existem pessoas como nós, como nossos filhos e nossos pais, do outro lado da tela existe um ser humano que tem direito de escolher o que é melhor para ele.

Novo modelo

O avanço tecnológico foi muito rápido, mais rápido que a legislação e mais rápido que o nossa capacidade de compreensão e crítica. Em poucos anos se instalou um modelo de sociedade movida por dados e com as aplicações “gratuitas” criou-se uma falsa impressão de que nós usuários não pagamos nada para usar serviços como e-mail, redes sociais, aplicativos de mensagens etc.

É neste ponto que marketing e proteção de dados se conectam. Para estudar o publico alvo as empresas investiam em pesquisas qualitativas e quantitativas, havia investimento pesado para conhecer o consumidor, havia margem de erro, havia pesquisa subsequente para verificação da reação, enfim, toda a mecânica era muito diferente do que acontece hoje. No atual modelo, as empresas compram estas informações de quem coleta e trata dados, a abrangência é maior, o custo é menor e margem de erro chegou perto do zero.

A princípio tudo parece muito normal, entretanto esta prática de tratamento de dados e comercialização de informações se consolidou sem que o público tenha conhecimento do que acontece de fato. As plataformas podem até dizer que está tudo descrito em políticas e termos de uso, mas quem lê aqueles blocos imensos de texto antes de dar o aceite para entrar em uma aplicação? Mesmo para quem se dispõe a ler, a linguagem utilizada geralmente não é de fácil compreensão. Como dizia minha avó: “o combinado não sai caro”, mas para ser realmente combinado as duas partes precisam compreender o que acontece de fato.

A prática de coleta, tratamento e comercialização de dados se tornou comum, ela é muito mais simples e barata que as antigas pesquisas e já traz em si N possibilidades de interação com o público.  Para os entes que navegam pelo mercado do marketing, o universo digital abriu um fantástico leque de oportunidades para melhorar seu desempenho.

Não há mal algum em a sociedade ter seus modelos relacionais alterados, isto já aconteceu muitas vezes na história da humanidade. Isto faz parte da evolução humana. Entretanto, é preciso levar em conta que toda esta lógica que liga a produção e o consumo tem como ponto final os seres humanos. Seres humanos com direitos e liberdades que precisam ser respeitados.

Agora, passados 2 anos daquele primeiro post e depois que muita água passou por debaixo da ponte, fiquei com muita vontade de escrever para a Comunidade Marketing de Gentileza.

Primeiro porque considero que este movimento foi parte da minha inspiração, pois posso ter seguido outro rumo, mas aquele curso teve forte influencia sobre tudo. Naquele momento de reflexão, cada pessoa, cada aula, cada encontro teve seu papel nas escolhas que fiz.

Em segundo lugar, o Marketing de Gentileza o propósito de “humanizar as relações virtuais” e um marketing gentil e humanizado é feito com respeito pela sociedade. Creio que existe um total alinhamento entre o tema ao qual me dediquei e o marketing que utiliza suas ferramentas para transformar o ambiente digital em um local seguro e acolhedor.

Agradeço à Laize e à galera da comunidade por toda a influência que tiveram sobre os últimos passos da minha vida. Valeu!

E quanto a você, leitor, te convido para uma jornada pela proteção de dados. Minha meta é destrinchar este tema tão fascinante complexo junto com você.

Vamos descobrir o que é LGPD e quais as suas implicações para a galera do marketing e da publicidade? Conto com os GentiLovers nesta empreitada. Por favor, me ajudem a manter uma linguagem clara, daquelas que são necessárias quando falamos de um tema novo. Serei muito grata pela gentileza de trazerem comentários e dúvidas. Esta é uma boa forma de construir conhecimento juntos e colaborar para a construção de marketing carregado de respeito humano.

Até o próximo post!

Comunidade Marketing de Gentileza
Márcia Guanabara
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Consultora em proteção de dados pessoais (LGPD). Formada em publicidade e marketing, tive uma longa carreira em gestão de negócios, ESG e ouvidoria. Há dois anos me dedico à proteção de dados, tema essencial para a experiência do cliente!

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