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As infinitas possibilidades entre o zero e um

As infinitas possibilidades entre o zero e um

 

Na minha infância entre muitas leituras uma me marcou até hoje pela mensagem subliminar que o texto trazia, trata-se de um conto de "O homem que calculava" de Malba Tahan.

Beremiz Samir, o Homem que Calculava, viajando na garupa de um camelo junto com seu amigo, se deparam com três pessoas discutindo ao lado de um lote de camelos. O motivo da discórdia era a partilha dos camelos, deixados como herança aos três irmãos. O pai, antes de falecer, determinou como seria a divisão dos 35 camelos:

  • O filho mais velho ficaria com a metade.
  • O filho do meio ficaria com a terça parte.
  • O filho caçula ficaria com a nona parte.

É um conto clássico que nos provoca a mudar de ares e pensar mais em relações ganha ganha do que em relações que apenas beneficiam a nós, explico:

Ao dividir os camelos de acordo com a vontade do pai, o filho mais velho teria direito a 17 camelos, o do meio a 11 camelos e o caçula ficaria com 3 camelos.

Beremiz Samir propôs aos irmãos sabiamente que se juntasse a herança o camelo com o qual ele viajava e se refizesse a partilha, de forma que o irmão mais velho receberia 18 Camelos, o do meio 12 camelos o mais novo 4 camelos e Beremiz ficaria com 2 camelos restantes em uma divisão que todos saíram beneficiados.

A natureza é analógica e não digital

O que quero trazer a reflexão é que embora  pareça mais simples intuitivamente de pensar em um mundo digital, binário, onde temos apenas duas alternativas para seguir na vida real temos infinitas possibilidades entre o Zero e o Um.

Para tornar mais rica a reflexão trago também o pensamento de William Ury, Renomado autor e palestrante de sucesso, escalado para tratar de negociações internacionais importantes, como acordos de paz entre palestinos e Israelenses.

No livro "Como chegar ao Sim" ele expõe cinco etapas que deveriam ser seguidas em qualquer negociação, e me arrisco a dizer que também em nossas iterações humanas.

Etapa 1-Não reaja, suba à galeria

A ideia do subir a galeria é tirar um tempo para pensar e olhar a situação de outro modo, como podemos fazer na galeria em uma peça de teatro, só após avaliar de outro prisma que se deve tomar alguma decisão.

Etapa 2 – Desarme seus oponentes, passe para o lado deles

Aqui a ideia é focar nos pontos em que concordamos, raras vezes temos posições completamente antagônicas sobre algo e ao identificar pontos em comum começamos a enxergar as infinitas possibilidades que existem e construir o diálogo a partir dos pontos comuns.

Etapa 3 – Mude o jogo. Não rejeite, reformule

Para fazer isso, segundo o autor devemos  “aceitar” a posição do adversário, mas mudar o ângulo para uma posição mais favorável para você.

É importante relembrar primeiro os pontos comuns, depois a partir de fatos e dados explicar o porquê algumas divergências não podem ser aceitas, trazendo mais credibilidade ao seu discurso.

Ouça as razões apresentadas pela outra pessoa e tente entender a situação pelo lado dela.

Etapa 4 – Facilite o sim. Construa uma ponte duradoura

Aqui é a hora de enfatizar o ganha ganha na negociação, explicitando os pontos de acordo entre as partes e mostrando que são maiores que os pontos de discordância.

Etapa 5 – Dificulte o não. Faça-os caírem em si, não de joelhos

É importante mostrar que ninguém saiu perdendo ao negociar que apenas mudaram o modo de olhar a situação e construíram uma saída que não tinha sido observada de inicio.

O mundo está muito polarizado, que tal ajudarmos a despolarizar?

Enfim o intuito deste artigo é uma reflexão sobre como mudar de uma visão competitiva para uma visão colaborativa, e fazer isso se tornar um hábito no nosso dia a dia.

Malba Tahan e William Ury trouxeram duas formas práticas de construir colaboração, mas como o título do artigo já diz há infinitas possibilidades entre o Zero e o Um, não restrinja a apenas duas.

 

Comunidade Marketing de Gentileza
Mário Mello, CEA, AAI
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Olá, eu sou Mário Mello! Te ajudo a realizar seus sonhos por meio da orientação financeira. Sou apaixonado por finanças, concluí um MBA nesta área, estudo e invisto há mais de 17 anos em renda fixa e variável

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