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4 mulheres guerreiras do século XXI

4 mulheres guerreiras do século XXI

Um dos maiores desígnios femininos para o século XXI é alinhar vida e carreira. Viver uma vida com sentido exercendo nossos talentos é estar em harmonia com nosso tempo.

Convidei 4 mulheres guerreiras  para uma entrevista sobre Vida e Carreira em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

 São 4 histórias de mulheres representantes de nosso tempo, com idades diversas e especialistas em diferentes áreas do conhecimento, escritora, podcasters, professoras, educadora, facilitadora, produtoras de conteúdo digital.

Nesta entrevista virtual, ELAS generosamente me contaram alguns momentos especiais de suas vidas e carreiras e fizeram sugestões aos novatos e novatas sobre o que fazer mais e o que fazer menos para a superação dos desafios profissionais de nosso tempo tão complexo!

Pontos de inflexão na vida e carreira

Cris Guerra, escritora e produtora de conteúdo digital, ficou viúva aos 36 anos, grávida de seu filho Francisco, hoje com 14 anos, “eu passei a compartilhar um pouco de meus sentimentos e do meu dia a dia por meio de um blog com a publicação de cartas para meu filho, chamado Para Francisco. Acabei transformando a minha vida em profissão. Eu enfrentei o meu luto e a minha maternidade solo compartilhando e descobrindo muitas coisas. Sou uma pessoa que tem a sorte de poder viver trabalhando com comportamento e usando a minha própria vida como material de trabalho”.

O blog Para Francisco foi um sucesso e virou livro, hoje aos 50, Cris Guerra é colunista de rádio e revista, podcaster do 50 crises. No seu podcast e nas demais mídias, Cris Guerra nos recebe com seu delicioso sotaque mineiro e bom humor para abordar temas como etarismo, moda, escrita e “sobre dar a volta por cima, fazer das adversidades oportunidades”.

Uma experiência similar de “virada” me contou Cecília Seabra: “em 2018 minha vida mudou. Após saber que seria demitida por corte de custos, tomei uma decisão que considero corajosa: não mais pautar minha vida pelo trabalho, mas o oposto”. Cecília Seabra atua como mentora e consultora de comunicação para pessoas e empresas e é professora nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Criou o site da Ceci e o podcast A comunicação nossa de cada dia.

O ponto de inflexão de Tania Sanches, especialista em Psicologia Positiva, PNL e CNV, podcaster do Chá positivo, foi em 2009 quando “tive um burnoult- estado de estresse crônico que me levou a exaustão física e emocional, pedi demissão de um emprego que me pagava muito.  Hoje, vivo um dia de cada vez e todo o meu conhecimento obtido, transformei em cursos online e treinamento para empresas para melhorarem seu estado emocional e nível de felicidade”.

Cris Guerra, Cecília Seabra e Tania Sanches, por motivos diferentes, criaram o trabalho de suas vidas e alinharam vida e carreira.

No mundo em constante transformação nem sempre encontraremos o trabalho que desejamos nos anúncios das redes ou que tais, teremos que criar o trabalho de nossas vidas.

Criar novos trabalhos e exercer várias carreiras ao longo da vida, transitar de uma carreira para outra e mesmo exercer várias atividades ao longo da vida são características da vida moderna permitidas pela longevidade conquistada pelos avanços da ciência e das transformações digitais.

Ganha destaque o conceito de life long learning, em português, aprendizagem contínua ou educação para toda vida.

Aprender pra sempre é o que nos obriga em um mundo em constante transformação, mundo VUCA - volátil, incerto, complexo e ambíguo. E a pandemia apressou muitas das projeções como a do trabalho remoto e a gestão com base na confiança.

Simone André, especialista em Educação e consultora independente, pode ser considerada uma lifelong learner, ela me relatou “hoje estou em uma 3ª carreira agora como consultora independente, contribuindo com diferentes organizações e construindo uma visão mais ampla e colaborativa”.

Provocadas por mim para dar sugestões sobre o que fazer mais e o que fazer menos na superação dos inerentes desafios profissionais que enfrentamos na atualidade, nossas entrevistadas destacaram várias soft skills, as habilidades socioemocionais do futuro.

Num mundo cada vez mais dinâmico cuja única certeza é a impermanência, para crescer na carreira é necessário desenvolver competências como empatia, resiliência, autoconhecimento, colaboração e sobretudo ser capaz de navegar nas incertezas.

Cris Guerra ressaltou a empatia como ponto de destaque para que novatos e novatas fiquem atentos, aconselha a escritora “trazer nossa verdade incluindo a nossa vulnerabilidade para o nosso trabalho é o que faz as pessoas se conectaram com a gente, perceber que somos reais, normais e que temos os nossos problemas, os nossos desafios, isso é muito poderoso. Eu traria este grande ensinamento”.

Cecília Seabra e Tania Sanches apontam o malefício da comparação e dos julgamentos indicando a necessidade de autoconhecimento e da autenticidade.

Ser “congruente com o que pensa, sente e fala” para o desenvolvimento profissional, destaca Tania Sanches e ampliar “o conhecimento para desenvolver visão estratégica, senso crítico, capacidade argumentativa e de dialogar”, enfatizou Cecília Seabra.

A especialista em Educação, afinada com nosso tempo, nos lembra que há  “Menos certezas. Cada vez menos certezas e cada vez mais abertura para descobrir novas maneiras de entender o que é a escola”

Espiando o futuro

Last but not least, pedi para Cris, Cecília, Simone e Tania espiarem o futuro, voltar e nos contar o que viram lá.

Nossas “futuristas” enxergam um mundo melhor logo alí na frente e trabalham nessa construção que ainda é um caminho.

Fiel à sua especialidade a Psicologia Positiva que foca as potencialidades do ser humano, Tania Sanches viu no futuro “pessoas mais conscientes de sua saúde mental, preocupadas em desenvolver habilidades que realmente importam para se ter uma vida com paz de espírito”, um mundo “do amor compartilhado, da compaixão e da empatia pela dor do outro”.

Cautelosamente otimista”, Cecília Seabra “gostaria de ver no futuro uma sociedade que reaprendeu a dialogar, mais colaborativa e menos competitiva, disposta a diminuir desigualdades e que tem na educação e no conhecimento seu ativo de maior valor.”

Simone André viu no futuro “a Educação pautando a economia. Um projeto de nação e produtividade à serviço das pessoas. E um projeto de educação à serviço da superação das desigualdades que destroem esse país. Vi a Educação e as escolas ajudando o planeta a enfrentar as crises climáticas, a pobreza, as pandemias. Vi crianças, adolescentes e jovens – sem distinção – pensando, sentindo, decidindo e agindo sobre o mundo onde habitam”

Em sintonia, Cris Guerra avistou "um mundo mais colaborativo, mais verdadeiro e coletivo com pessoas preocupadas com o que é essencial. Um mundo equilibrado ecologicamente porque seremos sabedores de que somos parte do todo, enfim um mundo mais humano.”

E quem pode dizer pra onde vai a estrada?

ELAS seguiram o que apontam os futuristas de profissão, como Rosa Alegria que diz “somos nós que salvaremos o futuro e não os robôs” e para tal precisamos usar nosso potencial feminino de transformação, de criar, de nutrir para nos situarmos como um partícipe do Planeta.

Contar estas 4 histórias é reavivar a memória das mulheres que nos antecederam cujas lutas abriram caminho para nosso presente de sororidade e é, ao mesmo tempo, frisar que as mulheres de hoje com sua garra preparam o terreno fértil para um futuro mais colaborativo e humanizado que vislumbramos.

Faltaram muitas, mas cada mulher citada aqui representa todas as mulheres do mundo.

 Te convido a comemorar com a gente espiando o futuro, voltando para nos contar nos comentários o que viu por lá.

[imagens Pixabay ]

 

 

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Laíze de Barros
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Eu crio Jornadas de Aprendizagem para pessoas e grupos com metodologias inovadoras e colaborativas. Mentora para seu autodesenvolvimento com ferramentas para diálogo que alinham vida e trabalho. Sou psicóloga e Mestre Educação USP.

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